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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008
SE...




Se és capaz de manter a tua calma quando

todo o mundo em redor já a perdeu e te culpa,

De crer em ti quando estão todos duvidando

e para esses, no entanto, achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares,

Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,

E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores;
De pensar - sem que a isso só te atires;

Se, encontrando a Desgraça e 0 Triunfo, conseguires,

Tratar da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas

Em armadilhas as verdades que disseste

E as coisas por que deste a vida, estilhaçadas,

E refaze-las como 0 bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única jogada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,

E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,

Resignado, tornar ao ponto de partida;

De forçar coração, nervos, músculos, tudo

A dar seja 0 que for que neles ainda exista,

E a persistir assim quando, exaustos, contudo

Resta a vontade em ti, que ainda ordena: Persiste;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes;
E, entre Reis, não perder a naturalidade,

E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes;

Se a todos podes ser de alguma utilidade;

 Se és capaz de dar, segundo por segundo,

 Ao minuto fatal todo o valor e brilho;

Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo

E - o que ainda é muito mais - és um HOMEM, meu filho.

De: Rudyard Kipling

publicado por Rosângela às 13:24
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